Arquivo diário 19 de junho de 2017

porJoLopes

Comercio online é ideal para empreendedores iniciantes e exige cuidados

Além da possibilidade de vendas em um limite geográfico maior que os pontos físicos, o empreendedor pode organizar seu tempo para gerir o negócio

O mercado virtual amplia a oferta de produtos e serviços, além de garantir mais facilidade, agilidade e segurança na hora de realizar uma transação. De acordo com os indicadores da operadora Mastercard, houve um aumento de 29% nas vendas do e-ecommerce nacional ao longo do mês de abril de 2017 no comparativo com o ano passado.

Começar uma atividade comercial na internet é o ideal para empreendedores iniciantes devido à simplicidade e baixo investimento, já que não precisa essencialmente de um ponto físico, como aponta o contador da Rui Cadete Consultores, Daniel Carvalho. Além da possibilidade de vendas em um limite geográfico maior que os pontos físicos, o empreendedor pode organizar seu tempo da forma mais apropriada para gerir o seu negócio e fazê-lo de qualquer lugar do mundo.

Para iniciar um negócio na internet, no entanto, é importante saber em qual plataforma online se encaixa melhor. Porém, independente do sistema, todos os produtos vendidos por meio de comércio virtual devem ter emissão de nota fiscal eletrônico, alerta o contador Daniel Carvalho. As redes sociais, por exemplo, são muito utilizadas para o e-commerce, e surgem como forma de captar diretamente os clientes que tenham interesse naquilo que você vende.

O empreendedor também pode se associar às Marketplaces, ou seja, lojas que já têm um nome consolidado e que, a partir de uma porcentagem no valor de vendas, pode comercializar seus artigos, a exemplos das Lojas Americanas e Extra.com, referências em e-commerce. Ou ainda pode criar a própria loja virtual em plataformas Customer to Costumer, como OLX ou Mercado Livre, em que as vendas acontecem entre pessoas físicas.

Daniel Carvalho explica que, mesmo sendo mais prático criar uma loja virtual, é importante ficar atento às legislações tributárias específicas para esse tipo de transação. “A forma de envio entre estados tem um regimento específico, o Protocolo ICMS 21/11, publicado em 2011. Esse protocolo define que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deve ser dividido entre o estado do vendedor e do comprador”, observa.

O contador ressalta ainda que é proibida a comercialização de produtos sem as notas fiscais eletrônicas, de acordo com a Portaria CAT- 162, de 2008. Para isso, é necessário que a empresa compre o certificado digital e faça uso do sistema estadual de emissão. Todas essas ações vão possibilitar mais segurança para o comprador e também para o vendedor.

Natal, 19 de junho de 2017.

porJoLopes

Os grupos terapêuticos e o enfrentamento da doença oncológica

Laíse Santos Cabral de Oliveira

Psicóloga – Casa Durval Paiva

CRP 17-3166

O câncer é um problema de saúde pública que tem aumentado sua incidência com o passar dos anos. Desta forma, existe a necessidade de um maior compromisso, por parte da sociedade, com a detecção precoce para que as chances de cura sejam maiores. Quando o diagnóstico é confirmado, paciente e familiares vivenciam uma nova rotina cheia de cuidados em busca da cura com os menores índices de sequelas e lesões, sejam físicas ou emocionais, como também, buscam o bem estar dos envolvidos.

Dentre os profissionais que integram a equipe de cuidado, o psicólogo trabalha oferecendo um espaço para que os pacientes e familiares possam elaborar e enfrentar suas angústias como também, possam desenvolver estratégias/recursos para lidar com as dificuldades que surgem a partir do diagnóstico da doença. Compreender as vivências do paciente com câncer e de seus familiares e estar disponível para que eles possam falar de seus sentimentos e expectativas frente à doença/tratamento, poder fazer com que surjam novos significados diante da vida.

Cada paciente vivencia a doença, o seu adoecer, de maneira única. Alguns enfrentam, outros querem negar. Deve-se respeitar a singularidade de cada um, principalmente, quando o assunto é o adoecimento e as perdas. Dentre as intervenções psicológicas possíveis no contexto do adoecimento, além da avaliação e das intervenções individuais, o psicólogo pode realizar orientações e intervenções psicológicas grupais.

Os grupos podem ocorrer dentro dos hospitais, das unidades básicas de saúde ou das organizações não governamentais (ONG’s), como é o caso da Casa de Apoio Durval Paiva. A intervenção terapêutica grupal é possível tanto com as crianças e adolescentes (o paciente), como com os pais (familiares). O grupo é um espaço que possibilita uma melhor compreensão para o terapeuta entender como é para os participantes estarem com câncer ou ter um familiar com a doença.

No caso dos adolescentes, eles podem falar da doença e do tratamento, contar sua dor e suas reações ao receberem o diagnóstico, compartilhar conhecimentos sobre o câncer e, muitas vezes, deixar transparecer suas inquietações, medos, temores e ambivalência de sentimentos. Questões como por que a doença surgiu, as mudanças na rotina e a (in)capacidade de adaptar-se, a preocupação com a família, a superproteção dos pais, o ciúme dos irmãos e a negligência dos pais em relação aos irmãos, podem ser discutidas no grupo.

O sentimento de ser excluído da sociedade é bastante comum pelos pacientes, uma vez que, a maioria se distancia dos amigos e da escola – dos grupos sociais – e tem dificuldade em retomar os contatos que tinha antes de adoecer. Outro tema importante a ser trabalhado é a morte, tema considerado tabu e que muitos evitam falar sobre. No grupo, eles podem conversar sobre a possibilidade de sua própria morte e dos temores diante da morte de outra pessoa que também tinha câncer, como no caso das novas amizades que surgem durante o tratamento.

No grupo com os familiares também se trabalha questões semelhantes, porém, esses familiares iriam ocupar um outro lugar. É possível discutir pontos como o abandono do emprego para poder se dedicar aos cuidados do filho, a sobrecarga por ser responsável pela parte financeira da família, a reorganização familiar, a mudança na rotina de vida e o medo de perder o filho. Apesar dos indivíduos terem, em geral, seus mecanismos de defesa para não entrar em contato com a sua dor (medos, temores e angústias), eles acabam se deparando com seus temores e, em alguns momentos, recolhem-se e refletem sobre suas perdas.

Embora alguns pacientes/acompanhantes tenham dificuldade de interagir com o grupo no primeiro momento, por entrar em contato com desconhecidos, os participantes avaliam que é importante ouvir a experiência do outro e relatam que aprendem com o que é partilhado, têm um alívio emocional, apresentam melhora nas relações sociais e nos níveis de conhecimento sobre questões relacionadas ao tratamento oncológico, como também, referem que desenvolvem capacidade para lidar com situações inerentes ao tratamento. Observa-se que além do que foi citado, há uma melhora na adaptação da vida, tanto individualmente, como no coletivo.

O psicólogo escuta e trabalha para dar voz aos sentimentos. As dúvidas e angústias são ouvidas. Dessa forma, a intervenção psicológica auxilia no equilíbrio emocional do paciente e no enfrentamento da doença.