A atual situação econômica do Brasil

A atual situação econômica do Brasil vem causando muita preocupação à toda parcela da população que depende do seu próprio trabalho para garantir seu sustento.

Sejam empregados ou empresários, estão todos preocupados com os rumos que nossa economiavem tomando nos últimos tempos.

Essa preocupação com a atual situação econômica do Brasil vem fazendo com que empresários adiem investimentos e novos empreendedores aguardem momentos menos incertos para iniciar seus projetos.

Como em todo momento de incerteza, uma certa dose de pânico se confunde com a frieza dos números e por isso é importante termos uma visão real do que está acontecendo.

O que é fato e o que é pânico

A atual situação econômica do Brasil é tecnicamente de estagnação. A crise econômica de 2016 não é mais apenas uma hipótese e consta como fato em toda pauta de reunião de empresários do país e também fora dele. Acreditar em mais uma história sobre “marolas” é negar a realidade econômica do país e abrir a porta para o fracasso.Os números não deixam dúvidas sobre a gravidade da situação econômica brasileira, muito embora o governo tente mascarar a crise com interpretações convenientes e a negação dos dados captados pelas diversas consultorias econômicas, instituições de classe e até mesmo das próprias agências e órgãos governamentais.

É claro que, como em toda situação de incerteza, principalmente em ano eleitoral, uma certa dose de pânico acaba se instalando. Esse também não é o caminho para a solução do problema, pois em momentos de histeria, decisões precipitadas podem também acabar destruindo o seu negócio.

A origem do problema

Os motivos que levaram a atual situação econômica do Brasil são muitos, mas alguns deles merecem um destaque especial. O primeiro deles é a total falta de investimentos em infraestrutura, que tem levado o país a perder competitividade tanto no ambiente interno quanto externo. A explicação para esse caos está na questão estratégica.

O segundo grande motivo de termos chegado no ponto em que chegamos foi a total falta de planejamento estratégico de longo prazo para nossa economia. O governo vem trabalhando com uma estratégia de reação aos fatos, uma verdadeira operação tapa buraco, onde medidas emergenciais são adotadas para tratarem problemas que seria facilmente resolvidos se houvesse um planejamento macro.

Uma mistura que não costuma dar certo

O terceiro e talvez mais grave problema é a submissão da política econômica à política partidária. Isso tem levado a uma desestruturação da máquina pública que vem prejudicando todos os setores da sociedade, como a educação, saúde pública, segurança e obviamente a economia.

O quarto motivo é a falta de credibilidade. Com escândalos se acumulando e a impunidade gracejando, mesmo que estivesse bem intencionado o governo não teria credibilidade suficiente para contar com apoio dos diversos setores da economia nacional. Este é o problema que nos deixa temerosos em relação ao futuro.

Sem medidas duras e coordenadas, a situação econômica do Brasil tende a se agravar, e em meio a um quadro recessivo de maiores proporções, corremos inclusive o risco do país ser seduzido pela heterodoxia econômica bolivariana adotada por nossos hermanos venezuelanos e argentinos com consequência trágicas.

Alternativas para a retomada do crescimento

Que a economia brasileira vai mal, todo mundo sabe, mas a pergunta é: De que forma podemos nos preparar para enfrentar e vencer o desafio de levar o país de volta aos rumos do crescimento? No que diz respeito ao empreendedorismo nacional, como se preparar para a crise de 2015 e estar pronto para uma eventual retomada do crescimento.

Uma retomada da economia brasileira dependerá exclusivamente do Governo, pois segundo todas as análises, foi ele quem não fez seu papel em termos de fomento do desenvolvimento do país.Em resumo, não fez nem o seu dever diário e muito menos o dever de casa.

Enquanto a agricultura, indústria e serviço davam seu sangue para atingir patamares de produtividade e competitividade, o Governo falhava no planejamento estratégico, infraestrutura e política fiscal.

O ajuste fiscal é inevitável para provocarmos uma reversão da atual situação econômica do Brasil, pois o uso de artifícios cínicos como a chamada contabilidade criativa das contas públicas não dará condições para que o país volte a crescer, só jogará mais para frente uma crise maior.

A atual situação econômica do Brasil pode ser revertida, mas se depender apenas dos empreendedores, sem a colaboração do governo, fica impossível.

(Fonte: http://www.empreendedoresweb.com.br/atual-situacao-economica-do-brasil/)

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“Intolerância, a violência dos ‘justos’”

*Por Ronaldo de Almeida

 A pedra atirada na cabeça de uma menina praticante de uma religião afro-brasileira por pessoas identificadas como evangélicas é um desses casos-limite que mesmo os acusados de incentivadores deste ódio manifestaram-se contrários. Afinal, nada mais anti-bíblico do que um apedrejamento, que o diga a mulher adúltera, salva por Cristo com uma frase simples e de aplicação universal: Atire a primeira pedra quem não tiver pecado.

Mesmo assim, o fato desperta indignação e preocupação em relação ao momento em que vivemos. Neste sentido, o evento não deve ser lido apenas à luz dos conflitos religiosos. É preciso ampliar o foco e entender o ato como sintoma de afetos sociais mais amplos que são pouco abertos às diferenças, muito voltados sobre si como medida para a vida pública e por vezes agressivos simbólica e concretamente com o que negam.

Isso porque na conjuntura atual assiste-se a uma concertação entre vetores que apontam para a contenção, restrição e mesmo retrocesso no plano dos direitos e das escolhas individuais. Trata-se do que vem sendo nomeado de “onda conservadora”. Ressalte-se: esta é uma onda que tem quebrado em várias direções. Algumas religiões fazem parte deste movimento mais amplo, e no que diz respeito aos evangélicos pentecostais pelo menos dois pontos são centrais.

O primeiro refere-se à disputa em torno da moralidade pública relativa a temas como família, ensino, reprodução humana, sexualidade, gênero, entre outros. Cabe lembrar que os evangélicos brasileiros são fortemente influenciados pelas proposições fundamentalistas norte-americanas, universo do qual a grande maioria deles descende.

Tais pautas têm sido canalizadas de forma mais contundente no Poder Legislativo e é algo relativamente recente. A entrada na política institucional nos anos 1980 visou mais à canalização de recursos para a rede religiosa do que uma ação contundente no sentido da regulação dos comportamentos e dos corpos. Contudo, composições recentes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Federal (historicamente associada a temas relativos às questões indígenas, agrárias, imigratórias, de violência etc.) têm pautado o debate em torno das moralidades e dos comportamentos.

O segundo ponto refere-se aos atos de iconoclastia, de vilipêndios por meio de rituais, de constrangimento moral e, apesar de menos frequente, de violência física. No senso comum, é recorrente alguns comportamentos mais belicosos dos pentecostais, sobretudo contra as religiões afro-brasileiras, serem associados ao fundamentalismo islâmico. No entanto, esta associação não encontra vínculos históricos ou culturais para se sustentar. A meu ver, é mais profícuo pensar a partir da cultura de violência existente no país, seja a do Estado seja a dos bandidos.

Recentemente, a Igreja Universal apresentou os Gladiadores do Altar, jovens obreiros que fazem rituais militaristas com uma estética semelhante à do filme Tropa de Elite. A semelhança, no entanto, não se limita à performance. O Bope do Rio de Janeiro conta com policiais evangélicos que formam a Tropa de Louvorenquanto em São Paulo foi criado o grupo PMs de Cristo que diz combater traficantes e policiais corruptos possuídos por demônios.

Além dos policiais evangélicos que veem sua atividade também como uma missão religiosa, surgiram recentemente nas favelas do Rio de Janeiro traficantes de drogas que participam de pequenas igrejas evangélicas. Se anteriormente os bandidos “fechavam o corpo” nos terreiros afro-brasileiros, cada vez mais eles têm buscado proteção espiritual nas orações dos pastores e frequentado rituais nas igrejas. Como consequência, tais traficantes têm expulsado das favelas os terreiros de umbanda considerados demoníacos.

Em todos eles, policiais e bandidos, a demonização é a linguagem pela qual uma guerra espiritual é vivida. Na verdade, o código da guerra e do inimigo perpassa a todos. E isto me leva a uma pergunta, meio anedótica mas nem de todo implausível: se os PMs de Cristo e a Tropa de Louvor combatem os demônios que agem nos traficantes e nos policiais corruptos, e se os traficantes evangélicos expulsam os demoníacos terreiros de umbanda das favelas, o que acontecerá quando aparecer o primeiro pai de santo evangélico? Ele vai demonizar quem? Talvez o círculo se feche e alguns evangélicos (tipo Malafaia, Macedo ou Feliciano) virem os capetas da vez.

Entretanto, não dá para generalizar os evangélicos a partir destas figuras. Na última Parada Gay  acompanhei um grupo de evangélicos gays que celebravam sua fé e afirmavam que Cristo é contra a homofobia. Em sua performance dançaram, cantaram e declararam: “Sou gay e Jesus é meu pastor”. Mas onde estão os bons pastores evangélicos que reprovam o ódio às religiões afro-brasileiras e a fobia aos gays? Conheço vários, mas todos juntos, ainda, não têm a visibilidade dos pastores citados acima.

O fato é que boa parte dos que falam em nome dos evangélicos tem participado de um movimento mais amplo que trabalha a favor das restrições dos comportamentos e mesmo da criminalização da população. A participação de um terço dos deputados da bancada evangélica na bancada da segurança, entre eles o presidente da Câmara Federal e o próprio presidente da bancada evangélica, é indício da afinidade de sentido entre religião e violência do Estado. Violência que encontra sua legitimidade em sentimentos coletivos de vingança, como este identificado na quase unanimidade nacional a favor de maior encarceramento seguindo a lógica da tolerância zero.

Na coletânea intitulada A Intolerância, a antropóloga francesa Françoise Héritier nos oferece uma proposição iluminadora do momento atual: A intolerância é sempre, essencialmente, a expressão daquilo que é considerado como que saído de Si, idêntico a Si, que destrói tudo o que se opõe a essa proeminência absoluta. Isto é bastante visível na aliança do pentecostal Marcos Feliciano com o católico Jair Bolsonaro na Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, na qual formam uma espécie de ecumenismo à direita no combate aos “inimigos da sociedade”, por exemplo, Jean Willys.

Como dito, a onda conservadora quebra em várias direções e seria necessário aqui mais espaço para demonstrar em um nível mais profundo, psíquico mesmo, as afinidades entre o ódio às religiões afro-brasileiras, a fobia aos gays e a vingança contra o adolescente infrator. Os vetores conservadores são diversos mas apresentam entre si conexões parciais, pois todos caminham no mesmo sentido da intolerância que elege inimigos a serem apedrejados, cerceados e encarcerados. No espírito deste momento sombrio, o ódio, a fobia e a vingança são as pulsões da violência daqueles que se consideram os ‘justos’.

*Ronaldo de Almeida é diretor científico do Cebrap e professor de antropologia da Unicamp.
(De: "Cebrap Comunicacao" <cebrap.comunicacao@gmail.com> para mim - 03/07/2015 12:29)

 

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A Petrobrás e o desemprego em 2015

Por José Pastore*

No mês de novembro de 2014, um estaleiro da Bahia demitiu mil trabalhadores em razão do atraso de pagamento da Petrobrás. Pelo mesmo motivo um fornecedor do Rio Grande do Sul dispensou mais de mil empregados sem poder pagar as verbas rescisórias. Numa empresa de engenharia na Bacia de Campos houve dispensa de todos os 2 mil funcionários em decorrência de atrasos de pagamento e cancelamento de contratos da Petrobrás. Uma firma de montagem de equipamentos demitiu 2.600 empregados. Na refinaria de Pernambuco e em seus fornecedores as dispensas chegaram também a 2 mil empregados. No conjunto, estima-se que as empresas que prestam serviços à Petrobrás tenham fechado novembro com menos 10 mil postos de trabalho. Tudo indica que a onda continuará nos próximos meses.

Isso é muito preocupante, porque a cadeia produtiva do petróleo é enorme, envolve a construção e operação de plataformas, navios, refinarias, oleodutos, obras civis e de transporte e uma infinidade de serviços especializados. Por isso as demissões apontadas têm grandes reflexos para trás e para a frente na referida cadeia, o que afeta muitos empregos indiretos. Por exemplo, uma média empresa que fornece equipamentos de proteção individual aos prestadores de serviços da Petrobrás na Bacia de Campos teve seu faturamento reduzido em 70% em 2014 e foi obrigada a dispensar 230 dos seus 300 empregados. Os desdobramentos são enormes.

Assustado com a onda de demissões, o governo pediu que o BNDES reservasse R$ 5 bilhões para atender a um dos fornecedores de sondas para o pré-sal que dispensou mil empregados. Todavia o BNDES e bancos privados nacionais e estrangeiros estão cautelosos para emprestar à petroleira ou a seus fornecedores, o que reduz a possibilidade de resolver os problemas trabalhistas com financiamento bancário.

O receio do governo com o eventual alastramento das demissões é justificável. Afinal, a Petrobrás tem um gigantesco plano de investimentos de US$ 240 bilhões para 2014-2018. Só em 2014, a empresa deveria investir cerca de US$ 40 bilhões, o que seria essencial para sustentar as empresas industriais e de serviços voltadas para a exploração e o refino de petróleo. Um corte abrupto dos contratos seria desastroso para milhares de empresas e seus empregados. E isso está ocorrendo.

O quadro é bastante preocupante e envolve trabalhadores de vários níveis de qualificação, inclusive engenheiros e técnicos especializados. Será difícil para esses profissionais encontrar recolocação no mercado de trabalho. Isso afetará o seu poder de compra, assim como de suas famílias – com novos reflexos para o emprego e para a economia como um todo.

Adicionalmente, o corte das despesas públicas em 2015 decorrente do ajuste fiscal deverá atingir inúmeras obras de infraestrutura e de habitação, com tendência a agravar o quadro do emprego.

É difícil chegar a um número exato para a taxa de desemprego em 2015, mas certamente ficará acima dos atuais 6,8% registrados pela Pnad em outubro, podendo chegar a 8% e até mais ao somar os reflexos da crise da Petrobrás com os efeitos da contração dos investimentos do setor público em infraestrutura, habitação e outros.

Uma elevação do desemprego para a casa dos 8%, sem falar no aumento de impostos, afetará toda a economia e setores que já não vão bem. As montadoras de veículos, por exemplo, despediram cerca de 12 mil empregados em 2014, com reflexos para a frente e para trás – autopeças, matérias-primas, serviços de compra e venda e outros.

Com a previsão de crescimento do PIB de apenas 1% (ou menos), será impossível expandir o emprego e reduzir o desemprego em 2015. Haverá muito descontentamento e protestos. Caberá à presidente acalmar os ânimos. Será um grande desafio para um governo acostumado a distribuir benesses.

*Publicado no O Estado de São Paulo – http://www.josepastore.com.br/artigos/ac/ac_204.htm

 

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