Dirigente da Abdib defende poupança para infraestrutura

GODOYO Brasil precisa aumentar a sua poupança interna e melhorar a eficiência do aparelho de estado para garantir investimentos a longo prazo em infraestrutura. Esse é um dos pilares para o crescimento sustentável do país, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy. O empresário apresentou o tema Infraestrutura e Meio Ambiente durante o Encontro da Indústria com os Presidenciáveis, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta terça-feira, 25de maio, com os pré-candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

“Precisamos aumentar essa poupança para termos mecanismos de investimento de longo prazo”, destacou Godoy. Para criar um ambiente de atração de investimentos, continuou o empresário, o Brasil precisa oferecer estabilidade, segurança jurídica, cumprir contratos e ser mais eficiente em sua gestão.

“Há uma década, nos fóruns internacionais, fazíamos visitas a outros países a procura de empresas que viessem desenvolver a infraestrutura no Brasil. Hoje, assistimos nesses países uma verdadeira corrida para entender o que está acontecendo aqui, de empresas que querem vir para cá, de investidores que querem investir em nossa infraestrutura. E precisamos dessa poupança”, contextualizou Godoy.

A melhora na relação custo e benefício da arrecadação de tributos do Estado também é fundamental para que mais investimentos possam ser feitos em infraestrutura. Tomando por base dados da empresa Idéias Consultoria, Godoy mostrou que a eficiência do Brasil num ranking com 133 países é puxada para baixo por causa do aparato do Estado. Hoje, o Brasil se posiciona em 56º lugar, mas fica em 27º quando observado apenas o comportamento do setor privado e em 128º quando avaliada a eficiência do aparelho do Estado. “A eficiência desse aparelho é a chave da próxima década para o Brasil encontrar o seu crescimento sustentável”, destacou Godoy. Para tanto, é preciso reduzir a burocracia.

O empresário destaca que o Brasil vive uma grande oportunidade de negócios provocada pelo crescimento da economia, área de petróleo e gás, planos de transporte e logística, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e pelo potencial das fontes renováveis de energia. Mas precisa ampliar os investimentos em infraestrutura e minimizar a deficiência criada ao longo dos anos com a falta de investimentos nessa área.

Em 2003, o Brasil investia R$ 58 bilhões em infraestrutura, chegando a R$ 119 bilhões em 2009. Na área de transporte, por exemplo, o país aplicava R$ 7,7 bilhões em 2003 contra R$ 19 bilhões em 2009. “Uma diferença de mais de R$ 11 bilhões por ano que deixaram de ser investidos durante muito tempo”. Para ele, a perspectiva é chegar a 2014 com um volume total de investimentos de R$ 160 bilhões em infraestrutura.

O empresário ressaltou ainda a necessidade de o país promover o crescimento sustentável em parceria com a indústria. “Não devemos assumir o conflito como ferramenta para impor condições, e sim incentivar idéias e programas que possam promover a sustentabilidade. É esse espírito que o Brasil precisa rever o código florestal ou discutir o pagamento por serviços ambientais”.

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