Atuação do nutricionista no tratamento do câncer infantil

Por Priscylla Kelly Abrantes – Nutricionista – Casa Durval Paiva – CRN 14096

O câncer infantil, em nosso país, corresponde a uma parcela de 2 a 3% das neoplasias malignas e, apesar de não ter a mesma incidência que cânceres em adultos, tem recebido sua devida importância e atenção, no que se refere às campanhas para o diagnóstico precoce e estudos em busca de maiores conhecimentos sobre essas neoplasias.

Para cuidados dos pacientes sob esta realidade, é necessário suporte de uma equipe multiprofissional. Dentre esses profissionais, está o nutricionista, responsável pelo cuidado, manutenção e recuperação do estado nutricional, visando sempre melhor qualidade de vida, resposta ao tratamento e a cura.

O câncer é uma doença catabólica, ou seja, atua consumindo as reservas de energia do hospedeiro. Pacientes com tumores sólidos, principalmente, têm maior risco de depleção (redução) de seu estado nutricional. Somando-se a isso, existem diversos sintomas do tratamento do câncer, que em sua maioria, interferem diretamente na ingestão alimentar da criança. Náuseas, vômitos, diarreia, mucosite (inflamação na mucosa bucal), xerostomia (boca seca), constipação (prisão de ventre), disgeusia (distorção do paladar), ageusia (perda do paladar), são alguns dos sintomas mais comuns causados pelos quimioterápicos e que, não havendo um acompanhamento nutricional adequado, podem trazer graves consequências.

A atuação do profissional nutricionista na equipe multiprofissional que acompanha o paciente no tratamento oncológico infantil é de extrema importância e indispensável, pois ele irá atuar com as melhores estratégias, visto que o estado nutricional do paciente é dependente de múltiplos fatores. É ele que irá considerar a individualidade bioquímica de cada paciente, ponderando as particularidades da neoplasia, tipo de tratamento, condições prévias e atuais de saúde, avaliação do estado nutricional, condições de acesso aos alimentos, cultura e aceitação alimentar, e diversos outros aspectos, discernindo, assim, qual melhor terapia a ser adotada.

Além da atenção individual ao paciente e o planejamento alimentar propriamente dito, também existe o apoio e orientação aos familiares. É o nutricionista que irá desenvolver todo trabalho de educação nutricional, orientando sobre os novos hábitos alimentares a serem adotados, informando a importância da adesão à dieta, buscando sempre o empoderamento e autonomia tanto da criança como do seu cuidador, para que, no futuro, possam realizar suas próprias escolhas alimentares de maneira saudável e adequada.

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